Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pequeno guia de sobrevivência a um eventual apocalipse zumbi - Parte I: Ideias Gerais

Há muito reluto em passar minha tese e portfólio mental de um ataque ou apocalipse (ou hecatombe) zumbi. Talvez a elementar e natural alcunha de louco, ou desocupado - ou ainda pior: excêntrico - perante os amigos, familiares, inimigos e sociedade em geral. Mas o fato é que muitas pessoas no mundo creem neste episódio singular "improvável" da história humana - e sua consequente extinção. E todas devem ter um guia mental de sobrevivência. Seja por leitura de livro, experiência afim ou trenamento afim. No meu caso leitura e uma boa dose de conspiração, aliada a minha recente aquisição - Protocolo Bluehand - Zumbis . Este manual veio adicionar mais conteúdo irracional didático ao que tinha na cachola. Mas porra isto é real. Para você não sei. Mas eu e várias pessoas ao redor do globo temos uma tese. É a seguinte:

"A quantidade de filmes sobre o tema, livros, revistas, conspirações, mídia e afins, quando começam a falar muito sobre determinado tema é que nada mais é do que um alerta de um perigo iminente - querendo dizer que algo está errado, mas de forma sutil. Ninguém quer ser perseguido, afinal."

Não é de hoje que na história humana se fala em pessoas mortas voltando à vida. Ou mesmo dos mortos levantando-se. Desde a mitologia até aos recentes experimentos científicos. O que não faltam são informações sobre este tenebroso e assustador episódio. O homem tem medo do desconhecido. E também tem medo da morte e seus arautos. Foi o medo que deu ao homem os meios de sobreviver na Terra. Está provado que o medo deu ao homem suas chances de vida no terceiro planeta. Então seja um medroso cauteloso e sobreviva!

Mas então vamos ao que interessa. Se você é daqueles que vê e lê os jornais e está atento as notícias então é um candidato forte à sobrevivência. Tenho uma regra geral:

1 - Ficar atento às notícias sobre doenças ou pandemias. Na terceira semana de surto pós oceano, ou nacional, ou continental sem cura, procurar os meios e mecanismos de sobrevivência. FIQUE ATENTO ÀS NOTÍCIAS DE DOENÇAS OU PANDEMIAS E NÃO ACREDITE NOS GOVERNOS OU PESSOAS FAMOSAS! Isso é o caminho da salvação de sua vida, família, amigos e vizinhos. Vizinhos serão importantes.
2- Fique de olho nas bolsas de valores. Se as ações das indústrias farmacêuticas subirem para margens históricas prepare-se! AÇÕES HISTÓRICAS DE FARMACÊUTICAS NAS BOLSAS SÃO SINAIS DE MORTE.

A par desta ideia geral, organize-se. Se o mundo começou a dar mostras de descontrole e você não é igual a eu, então terá que adquirir algumas coisas à preços exorbitantes. Alguém estará ganhando com a inflação e a tragédia. Tenha em mente os familiares mais imediatos e os amigos mais próximos. Faça uma lista de pessoas de riscos. Idosos, crianças, mulheres, deficientes. Infelizmente alguém daí perecerá. Mas você deverá estudar as formas rápidas de manter a integridade deles. Lembre-se que o grupo de risco é um potencial candidato a zumbi. E após isso todo sentimento deverá ser deixado de lado e marretar a cabeça deles é sua opção de sobrevivência fugir deles será sua única forma de evitar possíveis traumas psicológicos.

Com a lista de risco em mãos corra para um local de compras, mas com CUIDADO. Fique atento a comportamentos estranhos. Não vai querer um infectado perto de você. O mundo estará agitado, mas ainda haverá ordem. Você deve se precaver enquanto ainda há ORDEM e o ESTADO não entrou em COLAPSO. Desde já procure aprender a dirigir automóveis ou motocicletas. Se for alguém que ainda acredita que apocalipse vai ser superado, mesmo depois de cinco anos, guarde uns trocados em banco. Sempre haverá alguém faturando e sobrevivendo às tragédias alheias. Senão raspe toda sua conta e compre todas as coisas que puder para sobreviver. Vou listar o que comprar mais tarde. Saia de forma rápida e segura do local de compras, sempre atento a sinais e comportamentos estranhos.

Ao chegar em sua casa você e seus familiares não deverão mais sair desta. A não ser que seja mais seguro ir para o campo. Mas no geral, as cidades serão muito perigosas. E quanto maior a população maior seu risco de morte. Então estude se quer ficar na cidade ou sair dela. Se a população for acima de um milhão, morte; quintos mil, morte; 50 mil, morte; 10 mil, sobrevivência em 50%; 5 mil, sobrevivência em 70%. Ou seja, quanto menor a população da cidade ou vilarejo, maior a percentagem de sobrevivência. E a probabilidade do surgimento e organização de redes de ajuda e segurança. Então estude as possibilidades do grupo de risco e veja se é melhor ficar na cidade ou sair desta. Em todo o caso, o grupo de risco aumenta a probabilidade de morte em até 90% para você e eles.


A medida que a pandemia for se alastrando as instituições da sociedade entrarão em colapso. Se em um mês não for resolvida, então em três meses, no máximo, as INSTITUIÇÕES ENTRARÃO EM COLAPSO. Acrescente aí as polícias, bombeiros, hospitais. A desfragmentação do estado levará ao colapso das estruturas da sociedade. E você deverá saber como viver sem elas. Senão você estará fadado à morte. Veja: sem o estado outros grupos deverão ou tentarão assumir o lugar deste, seja local, ou mesmo nacional. Mas em todo o caso não será algo bom. Com a falta do estado, as saques, ataques de milianos, pessoas desesperadas, grupos de risco e afins crescerão de forma vertiginosa. Lembre-se:

3- No desespero as pessoas são capazes de fazer coisas inimagináveis. Inclusive você. Isto é uma lei.

Portanto, ao cabo de seis meses tenha em mente que seu psicológico poderá ser outro. E as suas ações também. Provavelmente aqui você já deve ter perdido alguém do grupo. Seja familiar, amigo ou alguém que juntou-se ao bando. Também a comida deverá está escassa. Sua mente será um poço de desespero. A morte rondará sua casa, ou o local em estiver. Uma das recomendações serão:

4 - Que todos fiquem juntos. Quem sair deverá dizer onde vai e quando voltar. Em caso de volta negativa ou ataque externo, fugir para o ponto de fuga - se existir.

Durante o curso da pandemia e os seis meses de desespero, procure estudar com o seu grupo pontos de fuga, de segurança. Para isto não há fórmula. Apenas a experiência e o conhecimento dos locais por onde esteve na busca por alimentos, remédios e suprimentos de sobrevivência. Em breve vou lista-los.

Após um ano de colapso e julgamento, a humanidade estará reduzida há menos de 20%. E aqui o maior perigo não serão os zumbis. O maior perigos serão OS VIVOS. Seja prudente na escolha de novos companheiros, se ainda estiver vivo. Aqui você já outra pessoa. Não sei o que será, mas sugiro assistir a aclamada série "The Walkind Dead" e ter uma noção de como as coisas estarão após um ano.

Encerro por aqui. No próximo listarei materiais e outros para sua sobrevivência.


Fontes:

Sou formado em História. Então tenho de exemplos as quedas das sociedades :P e o surgimento de novas sobre as antigas. E não é nada legal o processo em que isto ocorre... Como fontes visuais e livros recomendo:

Visuais:

01 - Todos os filmes de John Romero.
02 - Série The Walkind Dead.
03 - Filmes de sobrevivência.
04 - Filmes da II Segunda Guerra Mundial.
05 - Os filmes Contágio, Guerra Mundial Z, Ébola, toda a porcaria do Resident Evil.
06 -  Jogos eletrônicos: Série Resident Evil, The Last Of Us e qualquer outro de survival horror ou stealth.
07 - Filme "Eu sou a lenda".


Livros e afins:

01 - The Walkind Dead. Robert Kirkman.
02 - Artigos e revistas do Centro de Controle de Doenças.
03 - Manuais de sobrevivência na selva.
04 - Manuais de primeiros socorros.
05 - Protocolo Bluehand: Zumbi.
06 - Manuais de cordas.
07 - Manuais de mecânica de autos.
08 - Bíblia Sagrada ou qualquer literatura religiosa.
09 - A morte e o retorno do Super-Homem.
10 - Mangá of Dead - Antologia de Histórias de zumbi.


Como site eu indico o Zombie Hub. Este site contém excelente material. Em inglês.

Zombie Hub: http://www.zombiehub.com/
Continue lendo ►

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Alguns apontamentos sobre o modo de viver, ser e obtenção de recursos do maloqueiro

Pesquisa financiada pelo CNPQP
Samuel Ambrósio Cavalcante

Gostaria de lembrar que esta postagem de nenhuma forma é para agredir ou denegrir a imagem de um grupo social. Defendo acima de tudo a liberalização e sou contra este conservadorismo mofado. O teor deste post, que o leitor poderá verificar, é humorístico. O tipo de humor ácido. Boa leitura!

INTRODUÇÃO

Maloqueiro? Não sabe o que é maloqueiro? De maloca? Índio? Não, meus caros. Estou falando dos defensores do movimento alternativo, do defensores da liberalização do 2lly, preto, black, baseado, ou simplesmente maconha. Afinal, então qual é mesmo o título deste post? É isso mesmo. Andando eu por este mundo (não muito além de Manaus...) eu verifico o modo de vida dos maloqueiros. Afinal quem são, como vivem, o que comem, com quem fazem amor, o que pensam, o fazem da vida?

Não sei e não me pergunte! Mas afirmo seguradamente que eles vêm de todas as classes sociais. E observo que um bom maloqueiro, para descolar um almoço ou comprar o seu baseado tem alguns métodos e técnicas para sobreviver ao caos de um dia sem o 2lly (two-lly, saca?). Esta pesquisa está direcionada para o público universitário e foi levada ao cabo por meio de rígidas observações, coleta e tratamento de dados, entrevistas e uso de uma profunda e sólida teoria. Passaremos ao primeiro apontamento:


I - Ser Zineiro

Afinal o que é zineiro? A palavra é um neologismo do vocábulo fanzine. Fanzine, fanatic magazine, é a aglutinação das sílabas fan e zine. O fanzine é uma revista produzida por um grupo de fãs de determinado objeto de escolha social. Geralmente é distribuída por por meio dos fãs clubes. Mas e o maloqueiro-zineiro? Este é muito mais articulado, pensante e profícuo. O maloqueiro-zineiro produz sua obra com 4 ou cinco folhas de papéis A4 dobrado em formato livreto. Todos trazem ilustrações em tinta de caneta esferográfica e são esteticamente boas ou terríveis. Geralmente não tem nenhuma relação com o texto. Existem raríssimas exceções. Estas obras são fotocopiadas e são vendidas aos módicos dois reais (R$ 2,00).

Para vender sua obra o zineiro aborda o transeunte e vende o seu produto por meio do seguinte discurso:
"Bom dia, tudo bem? estou aqui apresentando meu trabalho, afinal é como ganho a vida e escapo deste sistema capitalista explorador e difundo a minha obra e pensamento. O preço é bem acessível. Custa só dois reais. Se você puder ajudar, serei grato, senão serei grato também".
De posse destes argumentos e o momento em que o possível comprador fica constrangido, o zineiro vende sua obra e obtém os lucro de seu árduo trabalho. Após vai atrás do seu alimento, pagar eventuais contas e conseguir o 2lly. Então o transeunte vai embora levando a obra, de difícil interpretação e assimilação. O zineiro defende esta difícil concatenação de ideias ao afirmar que a obra é filosófica e aborda questões profundas da vida.

Geralmente os textos dos zineiros começam da seguinte forma:
"Hoje me levantei e não estava muito afim de levantar porque a vida em si em um problema. Ao acordar ouvir vozes alteradas e passos rápidos fora do quarto. Não sei o que a vida me reservava para este dia mas sei que não iria me levantar se a certeza que este dia não seria como os outros. Fui ao espelho e me vi por alguns minutos (...)".
Além das obras narrativas, de profunda explanação psicológica e onírica, o zineiro produz poemas usando as mais variadas métricas conhecidas ou segue a ruptura modernista. Pode-se dizer que é um herói e um bom vendedor, aquele vendedor que toda loja precisa. As obras zinenses são milhares e é difícil agrupa-las ou dar-lhes uma classificação genérica e específica. São os novos bardos do século XXI.


II - Ser de uma banda

Alguns maloqueiros nasceram com o dom da música e, como é de costume no Brasil, tocam algum instrumento de corda, notadamente  violão, guitarra e baixo. Acresce aí o uso de um conjunto de instrumentos de percussão: a bateria. As bandas maloqueiras, os power trios (guitarra, baixo, bateria), são muito comuns e estão enraizadas na cultura ocidental. Importante frisar que é mais comum a ocorrência do power trio, mas não se exclui outros instrumentistas.

O maloqueiro-músico obtêm o produto do seu trabalho por meio de apresentações em cafés, bares, casas de música ou festivais universitários. Nestes ambientes o pagamento à banda é revertido na compra do alucinógeno ou este consegue o baseado por meio das mais variadas interações sociais. O maloqueiro deste seguimento é um dos mais requisitados componentes da cultura alternativa. Diga-se que sem ele, a sociedade ocidental não existiria e não teríamos a contestação da sociedade e dos seus valores no seu tempo.

Este elemento compõem músicas de cunho social. Algumas canções não têm pé e nem cabeça. São pobres na métrica, letra, arranjo, harmonia, melodia. Mas outras são tão contundentes e de riqueza musical excepcionais que a fama de suas bandas atravessam as cidades. Nossa pesquisa mostrou que há uma hegemonia no elemento rock nas bandas maloqueiras e as exceções são formadas por bandas percussionistas de excelentes músicos.


III - Ser bolsista do CNPQ

Este componente dispensa apresentações, visto que esta pesquisa é direcionada para o público universitário. Geralmente é um bolsista de graduação ou pós-graduação. Pode-se dizer que além das contas, dos livros e da vida que leva com a bolsa, este elemento tem mais recursos garantidos do que os maloqueiros estudados anteriormente. Na falta do recurso financeiro, reúne-se com os demais e promovem as famosas vaquinhas.


CONCLUSÃO

Ao terminar esta pesquisa deixo meu recado para nossos sanguessugas parlamentares e à sociedade hipócrita, de um falso conservadorismo, que resolvam o problema do narcotráfico relacionado com a maconha. Liberar ou não tem os seus defensores nos milhares de argumentos. Não devemos ter medo do futuro e nem ter medo de tentar. É desta forma que o homem cresce. Rompendo as barreiras do medo.
Continue lendo ►

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A greve da UFAM, os peitos, e o Portal Pelego - Uma nota de repúdio ao Portal do Holanda

"Você leu o blog do Holanda hoje?", "viu o que estava no  portal do holanda?". Meus caros, quem nunca se deparou com estas perguntas? O blog do Holanda. Um portal que joga de acordo com o governo municipal e estadual. Que  promove fofocas. Que diz-se um grande meio de comunicação. Que diz-se um denunciador do corrupção. De onde vem o público do portal do Holanda? São estudantes, curiosos, a classe média. Enfim, pessoas interessadas nas fofocas do disse-não-disse da política amazonense. É o mascate da classe média. O Ratinho dos intelectuais.

O Portal do Holanda promove um discurso denunciador. Mas sempre de acordo com as conveniências. Ainda não vi o referido portal criticar o governo do estado. Apenas elogios. Ainda não vi o mesmo criticar as mazelas do judiciário amazonense. Apenas o disse-eu-daqui. É o famoso pelego. Aquele que vende-se por uma secretaria, o procrastinador da situação. Ainda não tinha lido algum artigo do dono do portal. Mas minha infelicidade veio com o editorial intitulado "A Ufam e os meninos nus".

Neste o senhor Raimundo Holanda questiona os motivos das estudantes, o movimento paredista, lança dúvidas sobre a educação oferecida por uma universidade que há mais de 40 anos atua em prol da sociedade amazonense. Como um arauto da verdade e do moralismo ele escreve, e escreve. Numa melancolia jocosa e bolorenta. Para ele a UFAM é um grande circo. Isto me lembra aqueles comentários ácidos e desprovidos de inteligência dos teóricos golpistas militares.

Mas ainda não vai por aí. Este senhor, campeão da moralidade, apenas esquece de lembrar ao leitor que o seu site apresenta fotos de mulheres nuas, de videos de coito de participantes de realitys shows, de exposição de mulheres nuas e tantas outras coisas dadas como pornográficas e de conteúdo adulto. Este senhor faz parte daquele nicho da sociedade que vê em tudo uma falta de respeito, mas traem suas esposas, batem em suas mulheres, gastam seus salários com prostitutas.

Basta qualquer menor acessar este site e terá de forma fácil, logo na primeira página, todo o conteúdo adulto que precisa. Ele poderia nos ter feito um grande favor e ter acompanhado as assembleias estudantis que deram apoio à greve e saber os seus motivos, acompanhar a greve dos professores, ou ter feito um editoral mostrando o quadro calamitoso da educação no nosso estado. Sim, porque ao invés da hipócrita educação moralista que ele advoga, deveria o mesmo está preocupado com a qualidade do ensino em nosso estado. Educação não é moralismos. É conhecimento científico firme e de qualidade. Qualidade esta que o Brasil ainda está muito aquém.


Fonte:

A Ufam e os meninos nus. Acessado em 25 de Maio de 2012.
Continue lendo ►

segunda-feira, 7 de maio de 2012

[Artigos] Israel: livros escolares desumanizam palestinos, diz pedagoga

Guila Flint
Direto de Tel Aviv

Pedagoga israelense Nurit Peled Elhanan
Os livros recomendados pelo ministério da Educação de Israel e utilizados nas escolas do país, apresentam uma imagem "distorcida e desumanizada" dos palestinos. Esta é a opinião da professora de Pedagogia da Universidade Hebraica de Jerusalem, Nurit Peled Elhanan.

Depois de cinco anos de pesquisa em que examinou dezenas de livros escolares, principalmente nas áreas de História, Geografia e Educação Cívica, a pedagoga chegou à conclusão de que os conteúdos ensinados nas escolas israelenses "disseminam racismo" contra os palestinos em particular e os árabes em geral.

A pesquisa, publicada no livro Palestine in Israeli School Books - Ideology and Propaganda in Education (A Palestina nos livros escolares israelenses - ideologia e propaganda em educação, em tradução livre), inclui duras criticas ao sistema de Educação de Israel, que, segundo a autora, "prepara soldados para a guerra". 


Seres primitivos

Em entrevista ao Terra, Peled Elhanan expôs mapas, fotos e ilustrações que encontrou nos livros e afirmou que os palestinos não são representados como pessoas comuns, mas sim como "problema, ameaça ou seres primitivos".

Países sem fronteiras
De acordo com Elhanan, não consta nos mapas dos livros a fronteira entre Israel e os territórios ocupados durante a guerra de 1967. "Os alunos nem sabem que existe ocupação. O ensino os leva a pensar que os palestinos são intrusos neste país, os assentamentos (construidos na Cisjordânia) são chamados de povoados e os alunos pensam que não existe diferença entre Ariel (assentamento no norte da Cisjordânia) e Tel Aviv", afirmou a pedagoga.

"O ministério da Educação aboliu a fronteira entre Israel e a Cisjordânia, não só nos livros, mas também em atos", disse, mencionando a recente decisão do ministro da Educação, Gideon Saar, de instruir as escolas do país a levarem os alunos para um passeio na cidade de Hebron, na Cisjordânia. Segundo o ministro, o passeio pode contribuir para que os alunos "entendam melhor suas raízes, já que em Hebron se encontram os túmulos de nossos patriarcas e matriarcas". 


Lavagem cerebral

Palestinos retratados como atrasados
Nos últimos meses, centenas de alunos já foram levados a Hebron para visitar o local denominado Mearat Hamachpela em hebraico, e Mesquita de Ibrahim em árabe. Os passeios despertaram protestos de pais e professores que se opõem à ocupação dos territórios palestinos e acusam o ministério da Educação de "fazer lavagem cerebral" aos alunos.

Elhanan também afirma que as fotos e ilustrações graficas que aparecem nos livros escolares representam os palestinos "sempre como terroristas ou primitivos ou nômades com camelos". Segundo a pedagoga, os textos dos livros escolares reproduzem um "discurso racista clássico" em relação aos palestinos.

Imagem de grupos terroristas
"Os alunos não entendem o que os palestinos querem, não sabem que suas terras foram ocupadas e nem que os palestinos reivindicam os territórios ocupados em 1967 para construir seu Estado independente, pensam que lutam contra Israel por 'puro ódio'".

"Os alunos saem das escolas sem saber coisa alguma sobre seus vizinhos, que são apresentados como seres ameaçadores e amedrontadores. A combinação de ignorância e medo gera racismo.", afirmou a pedagoga. "Esse ensino racista é particularmente perigoso pois logo que terminam a escola secundária os alunos são alistados no Exército", acrescentou.

Em Israel o serviço militar, tanto para homens como para mulheres, é obrigatório e todos os jovens são alistados ao completar 18 anos de idade. 


"Interpretação política"

A reportagem do Terra pediu a reação do ministério da Educação. De acordo com a porta-voz do  ministério, Michal Tzadoki, a avaliação dos livros escolares de Nurit Peled Elhanan "não é uma avaliação profissional mas sim uma interpretação política".

A porta-voz também disse que "os mapas não são produzidos pelo ministério da Educação mas sim  pelo Mapi (Centro de Mapeamento de Israel)". O Mapi é uma instituição governamental que cede os mapas para as editoras que produzem os livros escolares.


Fonte: Israel: livros escolares desumanizam palestinos, diz pedagoga. Portal Terra. Acessado em 07 de Maio de 2012.
Continue lendo ►

terça-feira, 24 de abril de 2012

[Artigos] Referencial teórico do II Congresso dos Estudantes de História da Ufam - II COEHIS

O presente texto foi apresentado por ocasião da abertura do II COEHIS. Disponibilizamos ao público interessado. Desde já agradecemos a Professora Kátia Couto por ter aceitado a coordenação do evento.

Samuel Ambrósio Cavalcante
Helder Alves Lima
Graduandos em História


Helder Lima
Samuel Ambrósio
Nos dias 08 e 09 de Outubro de 2010 será realizado o II Congresso dos Estudantes de História da Universidade Federal do Amazonas - II COEHIS. Foram muitas as dificuldades para realizar este Congresso. Mas conseguimos. O primeiro congresso teve um cerne administrativo. Neste segundo a política e a metodologia de administração serão uma das espinha dorsais do congresso. O nosso tema terá como coluna vertebral a educação e o avanço das pesquisas acadêmicas para fora dos muros da universidade. O segundo congresso de estudantes de história da Ufam visa estabelecer um diálogo com os professores da área de história cultural, antropologia e história local e repensar os caminhos percorridos pela História em sua epistemologia, avanço social e o seu caráter político e educacional. O evento também visa à reunião política dos estudantes de história para tratar dos novos paradigmas organizacionais da representação máxima dos estudantes de história, o Centro Acadêmico de História do Amazonas, e da reformulação de seu Estatuto.

O ensino e a pesquisa histórica, atualmente, tem-se voltado para as preocupações locais, sociais, religiosas e mentais de um determinado lócus social. Assim, o atual professor de história apresenta aos alunos não apenas um ensino conteudista, mas um ensino-aprendizagem elencado com a realidade social em que estes alunos vivem. Além da preocupação com a realidade social, o novo profissional de história tem o dever e o compromisso de preservar a memória, os acontecimentos, os protagonistas sociais públicos e anônimos da História Local.

A historiografia e pesquisa histórica amazonense cresceram em projeção nacional e internacional, ancorada nas novas teorias, métodos e pesquisas históricas recentes. Desde a década de mil novecentos e oitenta, os estudos antropológicos, sociológicos, econômicos e, principalmente, o engajamento político, apresentaram novas possibilidades de diálogo e construção de conhecimentos em todos os campos da ciência histórica, bem como, a concretização de estudos interdisciplinares sólidos no campo das ciências humanas.

Dentro deste contexto, a historiografia local alcançou um patamar antes dominado apenas pela historiografia do eixo sul/sudeste. Os trabalhos historiográficos apresentados pelos historiadores da chamada “área periférica”, ocupam um lugar de destaque tanto por sua qualidade quanto por sua relevância na abordagem e pensamento histórico nacional.
Desta forma, faz-se necessário a construção deste evento para fomentar a discussão acerca dos próximos passos rumo a consolidação de um ensino e pesquisa histórica que ultrapasse os limites da academia e torne-se, de fato, um verdadeiro instrumento de transformação social através da inserção deste conhecimento no ensino oferecido pelas ciências humanas no sistema básico de educação do Estado do Amazonas.

Uma das grandes preocupações dos profissionais de história do Brasil, no final da década de 1990, era a forma em que a pesquisa histórica poderia transpor os muros da academia e ocupar, definitivamente, os manuais, os livros didáticos e o pensamento que a sociedade tem de si. As ferramentas e metodologias de ensino de história, entretanto, estavam apenas nos trabalhos de iniciação cientifica, teses, dissertações, artigos. Mas não havia um meio de transpor o muro da academia devido a muitos fatores. Entre estes fatores estavam às grandes livrarias e os títulos já consagrados e uma inércia por parte das secretarias de educação pública e ensino privado em fomentar estudo e pesquisa sobre os novos temas educacionais em história e de reformulação em suas grades de ensino. A outra eram as condições do ensino histórico oferecido e ministrado pelos professores. Que ensino era este? Era um ensino engessado nas antigas teorias históricas tão míopes quanto desacreditas aliadas aos poucos profissionais formados. Juntam-se a isto as péssimas condições de salários que os professores tem em nosso país. Um professor ocupa mais de duas cadeiras para poder sustentar a sua família e, conseqüentemente, não possui renda suficiente para adquirir novos livros de historiografia e de tentar uma especialização (KARNAL, 2004).

Nesta década do novo milênio, verifica-se uma mudança nos quadros apresentados, mas de uma forma muito desigual, de região para região. Além deste quadro desigual, observou-se que as mudanças pedidas no ensino de história na década de 1990 já estão ultrapassadas. O ensino universitário não acompanha, infelizmente, o quadro pedagógico do ensino básico(KARNAL, 2004). As políticas de ensino básico, também, não acompanham as políticas de ensino universitário. E culpa, aqui, não é somente das políticas pedagógicas míopes das dos profissionais de história também, sejam eles de graduação, graduados, pesquisadores. Infelizmente, uns olhares rápido em uma prateleira de história, em nossa universidade, verão que os títulos sobre educação e ensino de história são poucos. Alguns são de autores já consagrados, vozes abafadas de um bastião não tão “nobre” de ser pesquisado.

É incrível como a História mudou durante estes 90 anos. A sua epistemologia migrou de uma cronologia pobre para uma compreensão mais profunda sobre o caminho do homem. Entretanto, muitos de seus teóricos propunham uma mudança na epistemologia histórica e fraca participação ativa nos movimentos políticos. Os que assim seguiam eram os historiadores “sociais”, marxistas, comunistas e outros. A grande massa dos historiadores perdia-se na especulação excessiva da teoria, método ou desnecessário reacionarismo metodológico-histórico francês (CARDOSO, 1997; FONTANA, 1998). Dois caminhos a escolher: a política partidária e doutrinária ou a história sem causa – como acusavam os historiadores marxistas (FONTANA, 1998). Mas isto teve seu tempo. Hoje, os jovens profissionais de história não entendem o engajamento político de forma única e simples. A política hoje é entender o ensino histórico como agente transformador da sociedade. O ensino histórico deve estar em concomitância com o modo em que o estudante entende o mundo, sua região, cultura, sociedade. Um ensino transformador e crítico de acordo com as necessidades dos discentes. Neste ensino, os resultados de pesquisas são apresentados aos alunos objetivando um reconhecimento deste com o que é apresentado, levando o aluno a pensar sobre si e sobre sua participação na sociedade.


Consulte e baixe o novo Estatuto do CACHA aqui e aqui. 
Continue lendo ►

[Editorial] Combateremos as pragas mesmo com poucas joaninhas

Publicado no jornal "A Voz Universitária", órgão de veiculação do DCE-UFAM, em Fevereiro de 2011.


Novos rostos trazem alegria para os professores (talvez...!) e para a comunidade discente. Vocês venceram um grande desafio: um contraditório sistema de acesso ao ensino superior — o ENEM (conhecido pela alcunha de Nenem). Vieram de todas as camadas sociais e de várias partes do Amazonas e do País.

A Universidade Federal do Amazonas é uma instituição federal de ensino superior, apesar de todas as mazelas que a afligem, com os melhores índices de ensino em relação as instituições particulares de ensino superior. Estes índices mostram que a UFAM mantém um sistema de ensino que prima pela excelência do ensino. Mas não tudo são flores.

Nossa universidade, a exemplo de todas as instituições federais do país, enfrenta problemas de superlotação das salas, falta de professores e letargia na contratação de novos, problemas estruturais, denúncias de desvios de verbas (com processos correndo no Ministério Público e Tribunal de Contas), abuso de poder, burocracia exagerada, problemas estruturais (muitas vezes crônicos), e em breve, devido as lindas políticas do governo Lula (que pretende congelar por dez anos os salários) uma greve dos técnicos administrativos.

São belos os discursos sobre mais vagas, democratização do acesso ao ensino superior, novos cursos. Mas a realidade é outra. Todos os novos cursos criados não possuem coordenação e departamento, professores, material didático suficiente. Em busca de sanar problemas crônicos, a gestão passada ingressou no REUNI—Plano de Reestruturação das Universidades. Este programa é controverso e, atualmente, aumentou o problema da superlotação das salas.

Os grupos políticos-sociais ditos de esquerda, que julgam defender os direitos dos trabalhadores e pobres, votam em propostas e projetos governamentais que não correspondem ou resolvem os problemas da vividos pela camada social mais abrangente dos país. E ainda existem “estudantes” e entidades estudantis que apóiam tais iniciativas governamentais.

Devem estar perguntando-se agora: só estão falando de problemas e mazelas? Não. O lado bom vocês viverão na universidade. Mas ele estará acompanhado da triste realidade. Mas há esperança: as joaninhas. Porém temos um problema de logística quanto às joaninhas. É que não há joaninhas suficiente para combaterem as pragas de nossas lavouras e, por isso, perderemos muito de nossas colheitas. As pragas alastram-se e o uso dos pesticidas poderão comprometer nossa saúde.

A divulgação desta triste realidade é um dever estatutário e moral do DCE, órgão máximo de representação e coordenaçãos dos estudantes. Apesar de gestões passadas não terem cumprido esta missão (e terem abandonado os estudantes nas manifestações da meia-passagem e terem feito acordos alienígenas aos interesses discentes), a Comissão Eleitoral, durante sua vigência, execerá estas lutas e atribuições. Por mais que a quantidade de joaninhas seja insuficiente e nossa luta mostre-se fracassada ou inútil.

Samuel Cavalcante, Graduando em História
Membro Titular da Comissão Eleitoral
Fevereiro de 2011


Download em breve

Leitura do jornal em PDF aqui.

Consulta do Estatuto do DCE-UFAM aqui.

Consulta da Plenária Final do XXII CEUFAM aqui.
Continue lendo ►

domingo, 5 de fevereiro de 2012

[Artigos] O que é o Anonymous

Artigo do site Superdownloads sobre o grupo Anonymous.

O que é o anonymous?
Entenda as ideias do grupo que inaugurou uma nova etapa no ativismo online, unindo hackers e causas que beneficiem a sociedade.
Por André Felipe de Medeiros em 03/Fev/2012

O anonimato nunca esteve tão em voga. Atualmente, um movimento de hackers tem se manifestado mundialmente em prol de causas que beneficiam a sociedade, sem medo de peitar o FBI ou qualquer governo. Assim é o Anonymous, que ganhou ainda mais destaque dentro (e fora) da web após os protestos contra o fechamento do Megaupload em janeiro de 2012.

O grupo surgiu em 2003 em fóruns e sites de compartilhamento de imagem, como o 4Chan. Seu nome faz referência à cultura de internet, principalmente a sites que permitem publicações de usuários - aliás, quem nunca postou alguma coisa como "anônimo"? De fato, sob uma alcunha dessas, qualquer um pode fazer parte do grupo.

Qualquer um mesmo, já que não é difícil se inscrever (basta mostrar conhecimento técnico para contribuir ao grupo). Portanto, você pode estar convivendo diariamente com alguns Anonymous sem saber. Isso revela o senso de humor do movimento, que rapidamente ganha novos integrantes e se espalha, como um verdadeiro meme da internet.

Imagem obtida da Internet


V, Guy Flawkes e Alan Moore

A maioria dos heavy users já se acostumou a ver as máscaras de Guy Flawkes, egressas da graphic novel V de Vingança (cujo roteiro é de Alan Moore e o desenho, de David Lloyd). O verdadeiro Flawkes foi peça-chave na Conspiração da Pólvora, um atentado para matar o rei Jaime I da Inglaterra, em 1605. Por mais que nada tenha dado certo naquele 5 de novembro, o personagem tornou-se um ícone do espírito anárquico, e a personificação do Anonymous.

Sem uma liderança definida, os participantes do movimento se organizam nas redes sociais e fóruns, estabelecendo os objetivos de suas ações, além das maneiras de executar seus planos. Todos os membros trabalham impulsionados por ideias libertárias, sem qualquer desejo de reconhecimento (uma das razões para o anonimato, além da segurança - é claro).

Foi em 2006 que o grupo realizou sua primeira atividade em conjunto, quando uma criança de 2 anos, portadora do HIV, foi proibida de usar a piscina de um parque de diversões no Alabama, EUA. Em protesto, o Anonymous invadiu uma área no Habbo (aquela rede social meio cartunesca que imita um hotel). Todos os membros usaram o mesmo avatar: de um homem negro com cabelo black power, bloqueando o acesso à piscina, com o aviso de "Fechada devido a AIDS". Quando esses usuários foram banidos da rede, eles alegaram racismo. Foi uma pequena ação, mas que mostrou as inclinações e direcionamentos do grupo.


Ativismo e muito barulho na internet

Anos depois, em 2011, o Anonymous já alçava voos mais altos (e fazia muito mais barulho). Em setembro deste mesmo ano, o grupo apoiou o movimento Occupy Wall Street, nos EUA. Tratava-se de um protesto contra a influência das grandes corporações no governo. Quando a polícia retirou os ativistas do local da manifestação, o Anonymous revidou, ao expor dados pessoais dos policiais envolvidos na ação.

Um mês depois, mais de 1500 usuários do site Lolita City tiveram seus dados expostos, sob a acusação de tráfico de 100 gigabytes de imagens com pornografia infantil.

Mas a luta pela qual o Anonymous tem se tornado mais conhecido é a da liberdade na internet. Ela começou em 2006, quando o radialista norte-americano Hal Turner processou (e perdeu) os fóruns que serviam de casa para o movimento.

Logo depois, em 2008, a Igreja da Cientologia pediu para que um vídeo de Tom Cruise, promovendo a religião, fosse retirado do YouTube. Os anônimos consideraram o episódio um ato de censura. Então, atacou sites relacionados e passou trotes (por telefone) para a Igreja.

Quando instituições tentaram desativar as páginas de torrent, como o Pirate Bay, foi criada a Operation Payback ("Operação Vingança", em tradução livre), que derrubou, por 30 horas, os sites de organizações que coordenam a distribuição de produtos com direitos autorais. Foram alvo, também, empresas de advocacia envolvidas nos processos - além do compartilhamento de e-mails de uma dessas empresas, que continham informações sobre milhares de usuários envolvidos com a livre distribuição de conteúdo na web.

Meses depois, essa operação se concentrou em apoiar o WikiLeaks, atacando o site do PayPal, Mastercard e Visa, entre outros, depois que essas empresas retiraram as opções dos usuários contribuírem, por meio desses sistemas, com o site de Julian Assange.


A luta contra a Sopa

Em meio à polêmica da Sopa, o Anonymous se mostrou (obviamente) contra essa lei. Quando (em 19 de janeiro de 2012) o site Megaupload foi fechado pelo FBI, o grupo tomou medidas drásticas: fechou 14 websites, como o da Universal Music, da Casa Branca, do Departamento de Justiça dos EUA e até do próprio FBI. A próxima batalha deve ser travada contra o Anti-Counterfeiting Trade Agreement (Acta).

Frente à segurança desses sites, o Anonymous ganhou status de um Davi que está pronto para encarar a guerra cibernética pela liberdade. E é claro que, com essa fama toda, surgem boatos de novos ataques, dos mais diversos tipos. Por isso mesmo, toda ação de hackers em grande escala tem sido atribuída ao grupo, mesmo aquelas que vão de encontro ao que o movimento tem defendido.

A intenção do grupo não é deixar nenhum usuário da internet com medo. Pelo contrário, eles deixam claro que suas vítimas são as grandes corporações e governos, justamente aqueles que podem tirar a liberdade de quem navega na web. Há até mesmo um tutorial de como se defender na rede, feito pelo grupo para os internautas.

A ideia é essa, ser um grupo civil com força suficiente para enfrentar o poder institucional. Ainda mais no Brasil, que tem um histórico de ditadura que ainda é recente, não é difícil ver o Anonymous como uma nova espécie de heroi.


Continue lendo ►

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

[Entrevistas] Reportagem da BBC sobre a desocupação da Comunidade do Pelourinho

Especialista da ONU vê 'violação drástica' de direitos em ação no Pinheirinho

Pablo Uchoa e Camilla Costa
Da BBC Brasil em Londres e São Paulo

O processo de remoção dos moradores da comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), é uma "violação drástica" do princípio básico da moradia adequada, na avaliação de um alto especialista da ONU para o tema.

BBC Brasil. Cláudio Acioly.
Em entrevista à BBC Brasil, o arquiteto brasileiro Cláudio Acioly, coordenador do programa das Nações Unidas para o Direito à Habitação e chefe de política habitacional da ONU-Habitat, criticou a condução da operação e afirmou que, segundo a experiência internacional, remoções forçadas "criam mais problemas (que soluções) para a sociedade".
A intervenção policial no Pinheirinho começou na manhã do último domingo. A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar protestos dos moradores. Durante os confrontos, carros foram incendiados e pelo menos três pessoas ficaram feridas.
O especialista questionou a atuação com base no Estatuto das Cidades e na Constituição, que veem "função social" e protegem propriedades menores de 250 m² que permaneçam ocupadas pacificamente por um período de cinco anos ou mais.
Tanto a Secretaria de Segurança Pública quanto o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo discordam da avaliação de Acioly (veja quadro).
Leia a seguir trechos da entrevista com Acioly, que também já atuou como consultor do Banco Mundial e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

BBC Brasil – Na sua experiência internacional, quais são os efeitos das remoções forçadas nas cidades onde ocorrem?

Cláudio Acioly – O que a gente vê em outras cidades é que essas remoções criam mais problemas para sociedade e principalmente para as famílias diretamente afetadas. Nessas áreas vivem pessoas que trabalham, pagam aluguel, têm uma renda e vivem aí decentemente, por pura falta de opção. Para onde vai essa população depois do desalojo? Vai alugar casa mais caro em outro lugar, muitas vezes em situação de superpopulação, morando e vivendo uns em cima dos outros. Ou então vai promover ocupações irregulares em outros locais: embaixo da ponte, na rua, de maneira fragmentada. Recentemente encontramos uma figura morando em uma árvore no centro da cidade na Tanzânia.

BBC Brasil – O senhor crê que houve cuidados no caso do Pinheirinho para evitar isso? Por exemplo, só agora o governo começou a cadastrar as famílias afetadas.

Acioly – Houve uma série de erros graves no processo. Eu já trabalhei no Brasil com urbanização de favelas e programas de reassentamento em Brasília. A gente tinha como ponto de partida o cadastramento das famílias, a numeração das casas, a documentação dos moradores, havia um banco de dados. E havia uma data a partir da qual quem chegasse não teria direito a uma moradia alternativa. Brasília sempre foi notória pela maneira de realizar seus desalojos e reassentamentos, porque era uma cidade planejada.

BBC Brasil – Qual é a maneira correta de se fazer remoções?

Acioly – Eu queria deixar bem claro que a ONU não promove nem defende essas políticas. Nós reconhecemos a realização do direito à habitação adequada, tal qual definem os instrumentos internacionais. Mas se remoção for necessária e inevitável, é preciso seguir o devido processo: informar e comunicar suficiente e antecipadamente a população afetada; promover o envolvimento da comunidade; prover compensação e uma alternativa de habitação que elimine os prejuízos e o impacto físico, econômico e psicológico nas populações; e acompanhar as populações para que as pessoas não sejam colocadas em situação de pobreza por causa da realocação.

BBC Brasil – O senhor acredita que algum desses pontos foi respeitado no caso brasileiro?

Acioly – Você não pode simplesmente botar o trator e desrespeitar os direitos adquiridos a partir do princípio da função social da residência. A ocupação do Pinheirinho começou em 2004. Isso significa que cinco anos já se passaram e muitas pessoas que estão ali já estão estabelecidas. Pelo que tenho lido, está havendo uma violação clara do direito à habitação, que inclui o direito de não ser desalojado forçosamente. Está havendo uma violação drástica do princípio de habitação adequada.
Além disso, a ação de desalojo ocorreu no domingo – você não faz uma ação dessas no domingo, tem de haver uma participação da comunidade. Mesmo sendo uma decisão da Justiça, ela tem de ser aplicada de forma humana. O Estado tem um dever para com essas pessoas e deve reconhecer que possuem direitos como cidadãos brasileiros. Pelo que eu vi isto não está acontecendo.

BBC Brasil – Em abril de 2011, a relatora independente da ONU para o direito à habitação adequada, Raquel Rolnik, criticou formalmente o governo brasileiro pelas evidências que recolheu de “um padrão de falta de transparência, consulta, diálogo, negociação justa e participação das comunidades afetadas” nos processos de remoção relacionados às obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Acioly – Há organizações, como a Anistia Internacional, e a própria relatora independente da ONU alertando sobre desalojos no Brasil. Nós não temos como dizer que não pode haver reassentamentos. Mas não pode haver uma remoção forçada, em desrespeito ao princípio de que as pessoas não devem sair dali em situação pior que a que estavam. Se a autoridade olímpica acha que é melhor para a cidade e para a população que haja determinadas realocações, e há uma negociação, uma consulta e um entendimento, é uma situação em que todos ganham. Se não, temos um problema sério.

BBC Brasil – Se os governos agem em desacordo com esses direitos, há maneira de fazê-los prestar contas?

Acioly – A ONU não tem o poder de apontar o dedo para os governos e dizer o que e que eles têm de fazer. Quando temos um diálogo com o governo brasileiro sobre os seus programas, o que costumamos é relembrar esse princípio e os compromissos assumidos internacionalmente com eles. Além disso, a cada cinco anos os governos precisam fazer sua revisão periódica de políticas de direitos humanos no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Agora, os países têm que prestar com a sua sociedade civil, porque eles firmaram esses convênios e tratados sobre os direitos dos seus cidadãos.


Outro lado

O juiz assessor da Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, Rodrigo Capez, acompanhou a reintegração de posse no Pinheirinho no domingo e na segunda-feira.
Segundo ele, apesar de muitos moradores ocuparem o terreno há mais de cinco anos, era impossível considerar judicialmente que eram proprietários por usucapião, porque a empresa reivindicou a posse do local continuamente desde o início da ocupação.
"A juíza Márcia Loureiro estava cumprindo o que a lei determina, que é que o proprietário tem o direito de reaver seu imóvel. Ela não pode, a despeito de que existe um problema social, deixar de cumprir a lei. A resolução do problema social é um encargo do poder Executivo e do Legistativo", disse à BBC Brasil.
Capez afirmou ainda que a operação policial foi planejada com antecedência e que não avisar aos moradores a data exata da reintegração era parte da estratégia para reduzir a resistência. "Foi exatamente a surpresa da operação que minimizou o risco de mortos e de feridos", disse.
De acordo com ele, estava previsto que os moradores fossem obrigados a deixar o local e que retornariam acompanhados pela polícia para recolher seus pertences, que foram marcados pela polícia. "Agora o Executivo, em todos os níveis, tem que atender a demanda da população por abrigo", concluiu.
Procurada pela BBC Brasil, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que o domingo foi escolhido como parte de um planejamento que buscava causar o menor dano possível aos moradores da comunidade.
A Secretaria nega ainda que tenha havido resistência ou choques com a polícia no momento da reintegração. Confrontos teriam sido registrados apenas em um momento posterior à ação.


Fonte

BBC Brasil: www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120124_entrevista_pinheirinho_pu.shtml. Acessado em 24 de Janeiro de 2012, as 23H29 Manaus, 03H29 GMT
Continue lendo ►

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

[Artigos] O Governo chileno quer mudar o passado

Esta matéria foi publicada originalmente no site da  Revista de História da Biblioteca Nacional.

 CHILE TENTA REESCREVER O PASSADO 

Presidente chileno quis mudar termo usado para denominar o governo de Pinochet. Nas escolas, 'ditadura' viraria 'regime militar'.

Nashla Dahas
 06 de Janeiro de 2012

Circulou nesta semana, nos principais jornais brasileiros, a notícia de que o Ministério da Educação chileno proibiu o uso do termo ‘ditadura’ nos livros didáticos, substituindo-o por ‘regime militar. A iniciativa, que atingiria alunos do primeiro ao sexto ano, acabou sendo abortada após a repercussão negativa na mídia (inclusive internacional), mas é mais uma demonstração de que mudanças na ordem política são, frequentemente, acompanhadas por revisões na história nacional. Em busca de uma narrativa que dê mais legitimidade ao seu governo, o conservador Sebatian Piñera autoriza o esquecimento da herança Pinochetista. Naturaliza-se assim uma identidade nacional cristã, democrática e a-histórica. Resta saber se os 48,1% da população, que não lhe concederam voto no segundo turno das eleições de 2010, não terão outros passados para recordar.

Vale lembrar que tanto na campanha pelo plebiscito de 1988, que retirou Pinochet do poder, quanto no processo de transição democrática, ou durante a repercussão gerada pela detenção do ex-ditador em Londres, realizaram-se releituras dos eventos passados com discursos de legitimação, que reivindicam direitos humanos, ou de reconciliação nacional. O sucesso de tais reconstruções depende, no entanto, da sua capacidade para articular a história elaborada às memórias que emergem das vidas cotidianas.

'Sociedade de inimigos'

O que parece singular no Chile é o fato de que em todos esses momentos as eleições foram extremamente acirradas, com diferenças muito pequenas entre os votos recebidos pelos candidatos. Nessas condições, a vitória nunca assegura uma posição confortável, ou se torna garantia de estabilidade, cria-se uma sociedade de inimigos. A população não consegue se reconhecer em uma única história. Talvez por isso haja tanta pressa em esquecer o passado, em reconciliar o inconciliável. São partes com identidades distintas, próprias, que não aceitam ser enquadradas em um discurso comum.

Assim, a cada eleição estabelecem-se vencidos e vencedores, e qualquer política oficial de memória terá um custo social e um preço histórico. Trata-se, por um lado, de nomear a tortura e o assassinato de uma geração, de encontrar formas consensuais para explicar disputas ideológicas, radicalização política, e experiências limite individuais e coletivas. Por outro lado, há a necessidade de se estabelecer a ordem, de criar um pacto de estabilidade política e convivência social, tal como os sucessivos governos concertacionistas, de centro esquerda, tentaram fazer ao longo dos últimos 20 anos.

Certamente, uma memória conservadora, fundada na negação do passado, não será uma narrativa convincente, e tampouco fundadora de uma identidade nacional. A reelaboração do passado que pretenda reconciliar memórias antagônicas terá, necessariamente, que considerar o caráter profundamente conflitivo e dinâmico de qualquer história social.


Fonte da matéria:


Continue lendo ►

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

[Artigos] As ILuminuras e a Representação Religiosa no Apocalipse de Lorvão

Projeto de Monografia apresentado ao Profº Drº Sinval Carlos Gonçalves.
Universidade Federal do Amazonas - UFAM, Julho de 2009.
Samuel Ambrósio Cavalcante 

As Iluminuras e a Representação Religiosa no Apocalipse do Lorvão (c.1189)




1. Tema

As Iluminuras e a Representação Religiosa no Apocalipse de Lorvão (c.1189).


2. Objetivo

O Objetivo deste trabalho é examinar as iluminuras do Apocalipse de Lorvão através da relação entre imagem-texto.


3. Justificativa

O Apocalipse é o último dos livros do Novo Testamento. Segundo a tradição cristã foi o apóstolo João quem o escreveu durante seu exílio na ilha de Patmos, na Ásia Menor. O texto foi incluído no cânon do Novo Testamento depois de muita controvérsia. Entrementes, já era largamente aceito pelo corpo maior dos cristãos. A Igreja ocidental o aceitou desde o século III enquanto a Igreja Oriental só o incluiu no Cânon no século XV. Os escritos apocalípticos exerceram e exercem no Cristianismo grande fascinação. Um fim determinado, o futuro humano, o poder sobre a morte e a esperança de um mundo futuro são mensagens e doutrinas fundamentais do cristianismo. Não admira que a grande partes dos movimentos cristãos separatistas apresentem uma forte tendência escatológica milenarista.
O Apocalipse está fundamentado no maior dogma do Cristianismo: a encarnação de Jesus Cristo. O Cristianismo pensa o tempo, da mesma forma que o Judaísmo, linear e finito[1]. Teve um começo e terá um fim. Para os cristãos dos séculos I ao V era imprescindível saber os sinais que indicariam o final dos tempos. Cristo ressurreto voltaria a terra para julgar o homem de acordo com os seus atos e instauraria uma nova ordem mundial. Jesus endossou estes sinais:

E, certamente ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores. Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos há de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.[2] (...) Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.[3]

Para os cristãos medievais, principalmente dos povos ibéricos, a vinda de Cristo apontava para um Novo Mundo, longe das dores, guerra, pecado, fome e doenças. O Cristianismo e o Judaísmo, diferente de outras religiões, não apontam um recomeço e nem uma volta a um passado de ouro[4]. Ao contrário. Anuncia um novo mundo totalmente reconstruído e transformado[5]. No contexto português, o Apocalipse de Lorvão perde-se em um emaranhado de mentalidades políticas, religiosas e sociais. É a época da reconquista, formação do estado português, guerras e sucessões dinásticas, cisma católico-ortodoxo, guerras mouro-cristãs. O Apocalipse de Lorvão português assimila muito destes tempos e momentos em suas iluminuras e, no momento do auge reformista cisterciense, critica as artes, cultura, religiosidade e organização cluniacence.
O Apocalipse de Lorvão, assim chamado por ter sido iluminado no mosteiro de Lorvão[6], foi iluminado por Egeas, ou Egas durantes os anos de 1183-1184. É um trabalho baseado no Comentário ao Apocalipse, de autoria de um monge asturiano chamado Beato de Liébana. Este monge teceu um comentário ao apocalipse no século VIII, período turbulento do desestruturado império romano do ocidente. O Apocalipse de Lorvão faz parte de uma coleção de códices iluminados chamados Beatos, baseados no Beato de Liébana[7].
Compreender a formação deste texto e inseri-lo dentro de uma temporalidade cultural, social e religiosa são primordiais na compreensão do mundo medieval e cristão português. Vários trabalhos portugueses e internacionais sobre o Apocalipse do Beato de Liébana já foram publicados. O viés geralmente segue o documental. Quando se volta para o estético há um exagero depreciativo. Muitos historiadores da arte acentuam um caráter pobre das cores utilizadas sem, no entanto, atentarem para as funções sociais e culturais em que as miniaturas se inserem. As cores predominantes dele são vermelho, laranja, negro e amarelo, ao passo que de outras obras portuguesas iluminadas deste período esbanjam nas cores. Segundo Maria Adelaide Miranda, a utilização de tais cores foi proposital:

ao preto, cor aplicada em circunstâncias específicas, acentuando a carga simbólica de uma determinada cena. (...) O amarelo, o laranja e o vermelho serão utilizados para delimitar cenas, para individualizar acontecimentos numa mesma cena, funcionando mesmo como elemento de interligação entre registros diferentes (...) destacando o desenho, essência da mensagem veiculada[8].

Entretanto, algumas obras já trabalhadas abordam o valor estético, o enfoque cultural e social, dentro das mais recentes teorias da arte ou históricas. Os historiadores cada vez mais estão se voltando para o estudo das fontes iconográficas e imagéticas. As iluminuras dizem o modo de pensar de uma época e, no caso de produção textual cristã, estão intrinsecamente ligadas à escrita. Segundo Schmitt, as imagens têm uma função específica para a sociedade para qual foi produzida[9].
Seguindo este raciocínio, o Apocalipse de Lorvão, é mais do que um livro iluminado; ele tem sua função social própria dentro de um quadro histórico maior. Em nossa análise propomos que a utilização das cores e os formatos dos traços estão em direta concomitância com a austeridade e moral beneditina, valores estes assimilados pela leitura e visualização das miniaturas[10]. Ora, sendo o Apocalipse um livro rico em simbolismos, as miniaturas chamam a atenção para estes mesmo simbolismos imediatos da mensagem apocalíptica.
Segundo Schmitt, as figuras medievais parecem surgir para fora dos manuscritos, convidando o espectador a entrar no mundo invisível, na epifania que elas parecem sugerir[11]. Esta epifania não está apenas ilustrando passagens do Apocalipse, mas está convidando o leitor a entrar neste mundo vindouro, do qual ele acredita e vê na representação das imagens como uma sombra das coisas celestiais. Talvez este pensamento estivesse muito forte entre os cristãos medievais. Segundo Schmitt, o ocidente medieval pensa o mundo como uma imagem deturpada da Criação[12]. O Novo Testamento dá bases para este pensamento no livro de Hebreus. Neste livro o autor aponta todos os sacrifícios do antigo judaísmo como sombras do verdadeiro, do real[13]. Este jogo de linguagem está bem presente no Apocalipse. Quando anjo que acompanha João mostra algum acontecimento, pessoa ou lugar, ele ou o próprio autor declara como sendo semelhante, algo próximo de um real impossível de ser copiado.
Entretanto, o homem medieval acreditava na existência de seres fantásticos e a leitura de qualquer texto iluminado o confrontava com a existência real deste mundo. Neste ponto, o Apocalipse de Lorvão talvez esteja em um ambiente híbrido. Presumimos que os monges pelo próprio acreditavam nestes seres e fenômenos, mas de forma diferente. Quase como uma hermenêutica de separação entre o que era real e imaginário para eles. Mas são questões maiores que este trabalho não se propõe.


4. Metodologia

Os métodos aplicados consistiram de leitura paleográfica dos textos referentes às iluminuras; observação do tipo de escrita; descrição de paletas de cores, levantamento de trabalhos anteriores e descrição pré-iconográfica das miniaturas. A fonte estudada foi disponibilizada no portal da Torre do Tombo. Para o uso de referências bíblicas utilizamos a notação protestante brasileira. Os livros, capítulos e versículos nesta notação encontram-se sob a fórmula: Lv C.v (Livro, capítulo, versículo), e.g., Ap 4.12.
Decidimos utilizar a tradução bíblica brasileira (Revista e Corrigida – RC) por estar baseada no Textus Receptus, texto grego mais antigo e utilizado pela Vulgata e pelo motivo da versão latina portuguesa estar bem próxima do Textus Receptus. Fizemos a omissão de traduções já consagradas (a exemplo da Bíblia de Jerusalém) pelo motivo de muitas delas, sejam católicas, ortodoxas ou protestantes, acrescentarem, omitirem ou discordarem de algumas passagens do livro do Apocalipse. Ademais, as traduções de Almeida têm grande aceitação por parte do público geral de fala portuguesa e de grande parte do segmento especializado. Quanto à leitura do texto latino português, já que o texto de Lorvão mistura o texto bíblico e o comentário, fez-se necessário o uso de outra fonte latina para localizar os devidos textos.


4. Fontes

4.1. Arquivo Nacional da Torre do Tombo:
4.1. Mosteiro de Lorvão. Livraria do Mosteiro. Ordem de Cister, Mosteiro de Lorvão, liv. 44, Casa Forte, 160. Ano de 1189. Código de refêrencia: PT-TT-MSML/B/44. Disponível em: <HTTP://www.ttonline.dgarq.org.pt>. Acessado em 25/01/2009.

Fólios: 12v, 14v, 17, 33a, 43, 49, 54, 59, 64, 68v, 73, 80, 86, 90, 108v, 112, 115, 118, 119v, 120, 134, 135, 136-139, 140v, 142, 143, 144, 146, 148, 149, 150v, 152, 153v, 158, 161, 167, 167v, 169, 171, 172v, 175, 176, 177, 181v, 182, 184v, 185v, 186v, 191, 193, 195v, 196v, 198, 199, 200, 201, 202v, 203v, 206, 207, 209v, 210, 217, 217v.


4.2. Bíblias

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. 2 ed. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida no Brasil. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista, Corrigida e Anotada. Barueri: SBB, 2000.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Vulgata de Clementino. Nova edição revisada. Vaticano, 2004. Disponível em: . Acessado em: 12/02/09.


4.3. Sites



5. Bibliografia de apoio

5.1. Artigos

BASCHET, Jérôme. Inventivité et sérialité des images médiévales. Pour une approche iconographique élargie. Annales. Histoire, Sciences Sociales. 1996, Volume 51, Numéro 1, p. 93 – 133.

BASCHET, Jérôme. Introdução: a imagem-objeto. In: SCHMITT, Jean-Claude; BASCHET, Jérôme. L'image. Fonctions et usages des images dans l'Occident médiéval. Paris: Le Léopard d'Or, 1996. p. 7-26 (tradução: Maria Cristina C. L. Pereira).

BARBU, Daniel. L'image byzantine: production et usages. Annales. Histoire, Sciences Sociales, Année 1996, Volume 51, Numéro 1,. p. 71 – 92

MIRANDA, Maria Adelaide Miranda et alli. À descoberta da cor iluminura medieval. IN:Adelaide Miranda e MELO, Maria João. Fundação para a Ciência e Tecnologia

SCHMITT, Jean-Claude. La culture de l'imago. Annales. Histoire, Sciences Sociales, Année 1996, Volume 51, Numéro 1, p. 3 -36.


5.2. Livros

FRANCO JR., Hilário. As Utopias medievais. São Paulo: Editora Brasiliense, 1992.

FRANCO JR., Hilário. A Eva Barbada — Ensaios de Mitologia Medieval. São Paulo: Edusp,

LE GOFF, Jacques (dir.). O Homem Medieval. Lisboa: Editorial Presença, 1989.

LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. Bauru: EDUSC, 2006.

PANOFSKY, Erwin. Significado nas Artes Visuais. São Paulo: Editora Perspectiva, 1991.

RUCQUOI, Adeline. História Medieval da Península Ibérica. Lisboa: Editorial Estampa, 1995.

SARAIVA, António José. A cultura em Portugal. Teoria e História. Livro II. Primeira época: a formação. Lisboa: Edições Gradiva, 1991.

SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens: Ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Bauru: EDUSC, 2007.

ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz — a “literatura” medieval. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.


6. Bibliografia

BASCHET, Jérôme. A civilização do ocidente medieval: do ano mil a colonização da América. São Paulo: Globo, 2006.

BORGES, Nelson Correia. Arte monástica em Lorvão – Sombras e realidades. Das origens a 1737. Vol 1. Coimbra: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002.

BURKE, Peter. (Org). A escrita da História: Novas Perspectivas. São Paulo: Unesp, 1992.

CAIRNS, E. Earle. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. Israel Belo de Azevedo (Trad.). 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.

CHARTIER, Roger. A História CulturalEntre Práticas e Representações. Lisboa: Difel/Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.

COELHO, Maria Helena da Cruz. Análise diplomática da produção documental do scriptorium de Lorvão: séculos X-XII. Universidade de Coimbra: Faculdade de Letras.

DARTON, Robert. O grande massacre de gatos.

DELUMEAU, Jean. O que sobrou do Paraíso?

DUBY, Georges; LACLOTTE, Michel. História artística da Europa. Tomo I. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

ENOUT, Dom João Evangelista (Trad.). Regra de São Bento de Núrsia (480-547). Disponível em: <http://www.ricardocosta.com/pub/liebana.htm>. Acessado em 04/04/2009.

GINZBURG, Carlo. Mitos, Emblemas, Sinais — Morfologia e História. São Paulo: Companhia da Letras, 1989.

MARQUES, José. Práticas paleográficas em Portugal no século XV. Revista da Faculdade de Letras: Ciências e técnicas do patrimônio. Porto, 2002. 1 Série, vol.1, pp. 73-96.

MATTOSO, José (Cord.). A Monarquia Feudal (1096-1480). Vol. 2. História de Portugal. José Mattoso (Dir.). Lisboa: Estampa, 1997.


[1] LE GOFF, Jacques. Idades Míticas. IN: Historia e Memória. Campinas: UNICAMP, 1996, pp. 283-320.
[2] BÍBLIA, Mateus, O princípio das dores, 24.6-11. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida no Brasil. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. Salvo exceção, todas as referências aqui utilizadas são da Revista e Atualizada.
[3] BÍBLIA, Mateus, O princípio das dores, 24.32. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida no Brasil. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
[4] LE GOFF, Jacques. LE GOFF, Jacques. Idades Míticas; Escatologia. IN: Historia e Memória. Campinas: UNICAMP, 1996, pp. 283-320; pp. 325-367.
[5] LE GOFF, Jacques. Além. Tradução de José Carlos Estevão. In: Dicionário Temático do Ocidente Medieval. Vol.1. Bauru: ESDUSC, 2006. pp.21-34
[6] O mosteiro era um reduto beneditino que aderiu ao movimento cistercience no século XII. Nelson Correia Borges trabalha a história e arte no mosteiro em Arte monástica em Lorvão – Sombras e realidades. Das origens a 1737. Vol 1. Coimbra: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002.
[7] São exemplos o Beato de Girona, Beato de San Millan de La Cogolla, Beato do Burgo de Osma, Beato de Saint Server, Beato de Turim e Beato de Valcado.
[8] MIRANDA, Maria Adelaide (dir.). A Iluminura em Portugal. Identidade e Influências. Lisboa: Ministério da Cultura / Biblioteca Nacional, 1999.
[9] SCHMITT, Jean-Claude. O Corpo das Imagens: ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Bauru: EDUSC, 2007. pp.11-22
[10] Regra de São Bento de Núrsia (480-547), capítulo 57. Tradução de Dom João Evangelista Enout. Disponível em: <http://www.ricardocosta.com/pub/liebana.htm>. Acessado em 04/04/2009.
[11] SCHMITT, Jean-Claude. O Corpo das Imagens: ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Bauru: EDUSC, 2007. pp.11-22
[12] Op.citatum.
[13] Para esta idéia usamos o texto de Hebreus, capítulos 8-10. Entretanto, não é um texto ou idéia isolada. Todo o Novo Testamento afirma ser uma continuidade da chamada Antiga Aliança e aponta para a revelação do verdadeiro mundo, incorruptível.

***
Direitos Autorais

Licença Creative Commons
O trabalho As iluminuras e a representação religiosa no Apocalipse do Lorvão c.1189 de CAVALCANTE, Samuel Ambrósio foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 


Download do Apocalipse do Lorvão aqui.
Dowload do texto  aqui
Continue lendo ►
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...