segunda-feira, 7 de maio de 2012

Agradecimento e Despedida da Gestão Nuqachis

Esta carta iria ser publicada no mural meados de 2011, mas devido a forças maiores, o autor não quiz mais faze-lo. Preferiu dizer obrigado pessoalmente. A carta reflete coisas que hoje não são mais vistas. Ao término da gestão o que se viu foi uma perda da maioria das conquistas e o total descrédito junto aos centros acadêmicos do ICHL, principalmente após a eleição do DCE, que todos sabem foi um verdadeiro show de irregularidades e roubos. Pela primeira vez o CACHA passou a ser um CA fraco e subserviente; ficou fora dos grandes movimentos e passou para a sombra de outras CA's que o seguiam. A gestão passada afundou o barco e a antiga comandante ainda não quer largar o osso, por motivos politiqueiros.


Despedida da Gestão Nuqachis
Carta Aberta à Comunidade Acadêmica, em especial ao amado curso de História

É chegado o mês de novembro. Mais um período que se vai, mais um ano que se termina. E como parte da transitoriedade da vida, mais uma gestão do CACHA que também finda. Peço licença a meus camaradas de luta e chamar, neste momento, a responsabilidade de escrever esta carta de despedida. Eu espero conseguir corresponder em palavras, os anseios finais destes que estiveram conosco até o final.

O meu maior orgulho, como um dos primeiros incentivadores à idéia de formação de uma chapa, é saber que a diretoria fora escolhida por suas convicções solidárias, a favor dos estudantes, solidificadas em protestos, em passeatas e na repressão policial de um Estado que não consegue observar as necessidades de seus próprios cidadãos.

Todos juntos, pensamos idéias que poderíamos por em prática. Todos juntos estávamos, todos juntos lutávamos. Nuqachis, ou “todos nós” em Quíchua refletia aquele coletivo de alunos que estavam empenhados em construir um novo modelo de gestão de Centro Acadêmico. E nos elegemos. Por duas vezes os estudantes de História afirmaram e confirmaram a vontade de experimentar a nossa maneira de ajudar a construir.

Começamos a nossa experiência no final de 2009. Nosso Centro Acadêmico, outrora um espaço reservado e sisudo se tornou popular, aberto ao público e simpático aos visitantes. Recordo-me, com lágrimas e profundo peso em meu coração, das grandes conversas, ora sérias ora descontraídas. Jamais nos esqueceremos das felizes noites: alguns dias fazíamos churrasco como processo prometido de integração social entre os alunos, outros dias pedíamos pizza e nas sextas as sextas culturais eram de praxe. Nenhuma revolução, aquela que se dispõe a mudar um sistema vigente de forma abrupta, nasce de grandes comícios ou assembléias. As verdadeiras revoluções nascem nos mais simples momentos de socialização.

Começou o ano de 2010, e parecia um ótimo período para começar a pôr em prática a outra parte de nossas idéias. Com ajuda de nosso camarada Eraldo, para o curso de Férias, já funcionava no Centro Acadêmico a nossa própria reprografia. Sem filas, com horários flexíveis e que visava atender, com um preço bem menor, todos os estudantes de História.

Infelizmente, uma manobra do departamento derrubou a nossa reprografia e com aval de alguns outros alunos. Derrubou nossa reprografia e nossa motivação também. Tantos foram os motivos e nenhum deles pensava nos alunos mais carentes desse curso, historicamente fomentado nas camadas mais populares da sociedade.

Pedimos sinceras desculpas se nos perdemos na falta de motivação. E eu, na época presidente deste Centro Acadêmico, assumo todas as falhas que permearam a construção dessa gestão. Muitas horas eu pensava estar vencido pelo fracasso, pelo descrédito a alguns professores, pelo silêncio de muitos.

Uma tarde lembrou-me um amigo, e na época o Vice-Presidente Marcelo Kaká, de que ainda havia pessoas que acreditavam em nós, e que ainda nos esperavam. Eu vi que não estava sozinho, e pelas palavras de Kaká, pude observar quantas pessoas falavam através dele. Nós nos reunimos, convocamos pessoas que queriam construir conosco, e começamos a caminhar novamente, em uma locomotiva que nunca irá parar.

Nosso primeiro projeto, nesse processo de retomada, foi um sucesso surpreendente. O trabalho de campo realizado em Presidente Figueiredo, não sairá jamais da memória de quem lá esteve presente.

Conseguimos, com ajuda de pessoal especializado externo, organizar de forma definitiva o material do Centro Acadêmico, os ofícios devidamente arquivados e os modelos de ofício atualizados. Somos o único Centro Acadêmico com e-mail institucional, que facilitará para posteridade a comunicação entre CACHA e alunos.

Estivemos presentes na luta contra a poluição do esgoto da UFAM e estivemos na destituição e na convocatória para eleição da nova diretoria do DCE. Realizamos o II Congresso dos Estudantes de História, uma proposta de campanha nossa. Este trouxe palestras ricas e mudanças necessárias em nosso estatuto, mudanças estas também proposta de campanha. Conseguimos, junto com todos os estudantes interessados e que participara das mudanças estatutárias, tornar as eleições mais democráticas, um enxugamento nas diretorias, e maior de todas: que o congresso é o maior evento de deliberação e mudança do estatuto, tornando-o obrigatório e anual.

Mas não apenas isto. Fortalecemos o CACHA a tal ponto de ele está comandando os principais meios de representação discente. Por nossa iniciativa e posterior comando, fizemos a eleição para representante discente dp Condepe-ICHL que há algum tempo estava parada; articulamos junto com três CA’s a eleição de alunos comprometidos conosco para a diretoria do CONSUNI, órgão máximo de deliberação da UFAM; junto com outros cinco CA’s destituímos a atual diretoria do DCE, que estava ilegalmente no poder a dois anos, e chamamos o XXII Ceufam; estamos participando da Comissão Organizadora do Ceufam e estamos colocando representantes da sociedade nas mesas temáticas. Deixamos um CACHA forte, com a licença do trocadilho. Nestes dez anos de redemocratização do CACHA, nós o colocamos no centro das principais decisões, manifestos, articulações e organizações do atual movimento estudantil de forma INDEPENDENTE, POLITIZADA, APARTIDÁRIA, REVOLUCIONÁRIA, NÃO CONSEVADORA. Isto pode não ter feito parte de nossas propostas de campanha, mas pode ser uma das maiores conquistas de nossa gestão e do CACHA. Não digam que não fizemos nada. Não vendemos o CACHA para instituições estudantis pelegas, professores, estudantes conservadores. Que as próximas gestões fortaleçam este ponto de chegada do CACHA. Não fizemos isso para o particular de ninguém. Fizemos isto pensando em nós, estudantes de História.

Mais do que isso, estivemos sempre, face a face ouvindo elogios e reclamações. Não nos escondemos em chantagens, conversas pequenas ou personas cibernéticas que facilmente criticam, mas que nada constroem. Pedimos mais uma vez, sinceras desculpas, mas fizemos o que foi possível, com transparência e legalidade. Pela primeira vez, termina-se uma gestão com as contas no azul e dinheiro em caixa.

Nossos sinceros agradecimentos à professora Kátia Couto, que nos ajudou imensamente neste segundo semestre de 2010, ao professor Bitton e ao Museu Amazônico, à professora Patrícia Silva, ao professor Davi Avellino, à arquivista do Museu Amazônico Eliana Maria de Souza, aos alunos Helder Lima e Samuel Ambrósio, que contribuíram com assistência nas áreas técnicas bem como Marylaura Oliveira, Paula Dantas, à nossa alma Bárbara Osbourne, Liviane Azevedo, Dayse Sicsú, Sílvia, Saymon Montenegro, Márcia, Amaro, Emma, Francisco Celso, Priscila Verçosa, Kaio, Renan Cambize, Cláudia Pinheiro, enfim um sem número de pessoas que de uma maneira ajudaram a construir nosso Centro Acadêmico, nossos sinceros agradecimentos, nossa eterna amizade. Agradecemos todos os votos de confiança recebidos.

Da direta para a esquerda: Liviane, Cláudia, Chris, Wagner, Ygor, Celso, Samuel e Josias. Embaixo de uma árvore, pensando em estratégias para ir a Venezuela, Congresso, DCE e outras coisas. Viagem para Presidente Figueiredo. Desde a gestão de Kellen Prata que não se promovia um evento de passeio.

Aos 12 guerreiros que chegaram até o final, vitória. Tenho muito orgulho da equipe que fiz parte.

60 Segundos de Agressão – Invencíveis.
Muitos caminhos a seguir
Tantas promessas a cumprir
Mais que palavras a dizer
Algumas regras a quebrar
E a imensidão pra alcançar
Somos tão livres pra sonhar
O mundo roda e a gente vai se esbarrar
Teremos muita história pra lembrar
Daquele tempo vendo mais um dia amanhecer
Hoje acordei pra ver o sol
Mais um dia novo pra lembrar
Não estou sozinho agora eu sei
As pedras que um dia encontrei
Que sempre fizeram tropeçar
Parecem pequenas pois você estava comigo
E sempre esteve ali
E nunca me deixou cair
Te agradecer e tudo que me resta eu sei
Fotografias vão lembrar
E as velhas palavras de vocês
Nada é impossível e nada a perder
Garrafas de vinho no jardim
E agora caminhos a seguir
Chegou a nossa vez
Não feche os olhos pois há muito pra se ver
E muitos lugares pra ir
Depois da tempestade e o sol nasce outra vez
De volta na estrada estamos juntos outra vez
Que as nossas diferenças sirvam pra nos fazer crescer
Olhando da janela eu vejo coisas que eu não vi
E de tudo que passou eu nunca esqueci

Invenciveis, nós somos invencíveis
Nada nem ninguém poderá nos parar
Invencíveis nós somos invencíveis
Nunca dizer adeus, vamos continuar!

Sinceramente, com todo meu coração
YGOR YUKIHIRO RANGEL AOYAGI

Um comentário:

  1. Sem dúvida é um belo texto. Fácil notar sincera e intensa emoção nele.

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